O dia 31 de Outubro tem vindo a
marcar a minha vida com situações negativas, é dos dias que se pudesse retirar
do calendário assim o faria, (apesar de não viver na ilusão que isso pudesse
adiantar para alguma coisa).
Hoje desgraçadamente, encerra a
loja dos meus pais, loja essa que me deu muito: introduziu-me desde muito cedo
naquilo que é a vida empresarial o que me levou a conhecer o ramo da iluminação
por dentro e por fora, levou-me a conhecer países e pessoas desses países com
os quais cultivo ainda algumas amizades, deu-me também a alcunha que ganhei
durante o inicio do secundário, alcunha essa que ainda hoje alguns amigos me
chamam.
Foi em torno dessa loja que girou
a minha vida familiar durante ¼ de século todos trabalhamos para que tivesse
sucesso, houve Natais em que era tanto o movimento que vinham amigos ajudar nos
embrulhos e entregas, isso era o comércio tradicional, transcendia o lucro,
passava pela entreajuda e fidelidade entre comerciantes, hoje da mesma forma
que o Natal já não é o que era, a fidelidade dos clientes já não é exclusiva
nem garantida (nem teria de ser).
A loja fecha por culpa de todos e
como tal a culpa morre solteira, depois de quase 25 anos a economia obriga a
que se feche, o mercado mudou as tendências também, quando falo de tendências
falo tanto de modas como de comportamentos de compra no comércio em S. João da Madeira, em
1988 quando a loja abriu, S. João da Madeira era um pólo comercial onde os
concelhos limítrofes vinham fazer compras o que criava riqueza e emprego para os
Sanjoanenses, hoje esse paradigma mudou e apesar de determos ainda algum
interesse para os concelhos limítrofes e de garantirmos algum emprego aos
Sanjoanenses, a criação de Riqueza está a ser desviada para fora do concelho
pois hoje os motores do comércio em
S. João da Madeira (em termos de volume de facturação) são as
grandes empresas Nacionais e Multinacionais que usam S. João da Madeira apenas
como mais um local de onde colhem os seus lucros.
É preciso entender que no momento
que o lucro existir essas empresas vão fugir, ao contrário da grande maioria
dos comerciantes Sanjoanenses que são fieis ao Concelho e muitos que hoje não
realizam dinheiro suficiente para fazer face ao seu próprio vencimento, se
mantêm de portas abertas, os meus Pais foram uns deles, mas, é chegado o
momento de dizer “chega!”, não é possível manter um negócio aberto apenas para
manter quem nada arrisca com o negócio (senhorios, Estado, etc.).
Com a minha formação na área da
comunicação, há muito que adivinhava este desfecho mas tal como todos devem
imaginar, ao fim de quase 25 anos, aconselhar os meus Pais a fecharem a loja é
como aconselhar alguém a amputar uma perna e um braço, não é coisa que se
aconselhe de animo fácil e muito menos fácil é fazer!
É momento de dizer “Adeus Aladino!”
quando no fundo se quer dizer “Até amanhã”, como sempre…
