quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Aladino


O dia 31 de Outubro tem vindo a marcar a minha vida com situações negativas, é dos dias que se pudesse retirar do calendário assim o faria, (apesar de não viver na ilusão que isso pudesse adiantar para alguma coisa).

 

Hoje desgraçadamente, encerra a loja dos meus pais, loja essa que me deu muito: introduziu-me desde muito cedo naquilo que é a vida empresarial o que me levou a conhecer o ramo da iluminação por dentro e por fora, levou-me a conhecer países e pessoas desses países com os quais cultivo ainda algumas amizades, deu-me também a alcunha que ganhei durante o inicio do secundário, alcunha essa que ainda hoje alguns amigos me chamam.

 

Foi em torno dessa loja que girou a minha vida familiar durante ¼ de século todos trabalhamos para que tivesse sucesso, houve Natais em que era tanto o movimento que vinham amigos ajudar nos embrulhos e entregas, isso era o comércio tradicional, transcendia o lucro, passava pela entreajuda e fidelidade entre comerciantes, hoje da mesma forma que o Natal já não é o que era, a fidelidade dos clientes já não é exclusiva nem garantida (nem teria de ser).

 

A loja fecha por culpa de todos e como tal a culpa morre solteira, depois de quase 25 anos a economia obriga a que se feche, o mercado mudou as tendências também, quando falo de tendências falo tanto de modas como de comportamentos de compra no comércio em S. João da Madeira, em 1988 quando a loja abriu, S. João da Madeira era um pólo comercial onde os concelhos limítrofes vinham fazer compras o que criava riqueza e emprego para os Sanjoanenses, hoje esse paradigma mudou e apesar de determos ainda algum interesse para os concelhos limítrofes e de garantirmos algum emprego aos Sanjoanenses, a criação de Riqueza está a ser desviada para fora do concelho pois hoje os motores do comércio em S. João da Madeira (em termos de volume de facturação) são as grandes empresas Nacionais e Multinacionais que usam S. João da Madeira apenas como mais um local de onde colhem os seus lucros.

É preciso entender que no momento que o lucro existir essas empresas vão fugir, ao contrário da grande maioria dos comerciantes Sanjoanenses que são fieis ao Concelho e muitos que hoje não realizam dinheiro suficiente para fazer face ao seu próprio vencimento, se mantêm de portas abertas, os meus Pais foram uns deles, mas, é chegado o momento de dizer “chega!”, não é possível manter um negócio aberto apenas para manter quem nada arrisca com o negócio (senhorios, Estado, etc.).

 

Com a minha formação na área da comunicação, há muito que adivinhava este desfecho mas tal como todos devem imaginar, ao fim de quase 25 anos, aconselhar os meus Pais a fecharem a loja é como aconselhar alguém a amputar uma perna e um braço, não é coisa que se aconselhe de animo fácil e muito menos fácil é fazer!

 

É momento de dizer “Adeus Aladino!” quando no fundo se quer dizer “Até amanhã”, como sempre…

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